Urnas eletrônicas são suscetíveis a fraudes?



Primeiro, devemos dizer que ao mesmo tempo que é importante que as urnas sejam passíveis de auditorias, questionar e descredibilizar o resultado de uma votação, causa instabilidade no processo democrático, ainda mais com um ambiente polarizado e inflamável como o cenário político atual.

Desde que foi instaurada nas eleições de 1996, a urna tem seus críticos. O maior deles Diego Aranha da UnB, Professor da Unicamp e especialista em segurança e fraudes tecnológicas, fez um teste em 2012 apontando resultados críticos: facilmente conseguiria determinar o voto de alguém pelo horário registrado na máquina, o que acabaria com a certeza do voto secreto que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nos dá. Além disso, não conseguiu finalizar todos os testes a tempo, mas detectou a lacuna de possibilidade de transferência de 10% de votos de um candidato para outro, o que é suficiente para decidir uma eleição no Brasil.

Já o TSE afirma que essas falhas foram corrigidas e que as brechas da contagem de voto impresso com contato humano direto e acesso livre por parte dos mesários é muito mais suscetível a fraudes.

Em 2014, o PSDB solicitou uma auditoria para verificar fraude no resultado da eleição entre Dilma (PT) e Aécio, feita por estrangeiros que residiam no Brasil e trabalhavam em uma grande empresa de tecnologia. A auditoria foi inconclusiva, segundo o partido, por falta de permissão para que fosse profunda o suficiente. Porém, não houve provas em toda a história da urna que constasse uma fraude.

Em uma matéria para a Uol, Giuseppe Janino, secretário de Tecnologia da Informação do TSE, afirma que há diversas barreiras para se transpor ao hackear o computador do Tribunal, que o hacker deixaria marcas para ser posteriormente identificado, que ele precisaria ter acesso a urna anteriormente às eleições. Além disso, o presidente do TSE diz que as tentativas diárias de ataques ao computador deles são todas neutralizadas.

Em 2018, algumas medidas extras foram tomadas, o TSE colocou uma auditoria em tempo real no dia da eleição antes do primeiro voto ser computado. Outra ação de proteção do TSE é mais antiga, desde 2009, o Teste Público de Segurança (TPS) são abertos a todos os brasileiros maiores de 18 anos, que podem apresentar planos de ataque à urna eletrônica e sugestões de melhoria do software.

Há muito que melhorar para se afirmar que as urnas são 100% seguras e os softwares estão melhorando cada vez mais, se tornando menos vulneráveis. Ainda assim, é incorreto afirmar que elas não são seguras e que o voto impresso é melhor, deixar o processo todo manual, em contato direto com pessoas é muito mais suscetível a fraudes.

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